O CONTROLE DO ESTRESSE PODE AJUDAR O SISTEMA NERVOSO CENTRAL NA RESPOSTA INFLAMATÓRIA

O CONTROLE DO ESTRESSE PODE AJUDAR O SISTEMA NERVOSO CENTRAL NA RESPOSTA INFLAMATÓRIA

Vários trabalhos têm sugerido um efeito pró-inflamatório dos glicocorticóides (GCs) ao invés da ação antiinflamatória clássica desses hormônios, tanto em órgãos periféricos como no sistema nervoso central (SNC). Nossos estudos procuraram discutir esses aspectos relacionando o estresse crônico imprevisível, um tipo de estresse que exige vigilância contínua e generalizada, levando o indivíduo a se manter sempre em guarda – mesmo na ausência do agente estressante. Nossos estudos mostraram uma relação interessante entre a exposição a este tipo de estresse e a resposta inflamatória, uma vez que animais submetidos a estresse crônico imprevisível, e que apresentam níveis de GCs elevados, e que receberam um estímulo inflamatório com lipossacarídeo (LPS) de Escherichia colli (E. colli), componente majoritário da membrana de bactérias gram-negativas, pela via endovenosa, tiveram a expressão de genes pró-inflamatórios potencializada no SNC. Estes efeitos estão associados às ações pró-inflamatórias dos GCs que ocorrem pela ativação do NF-kB, um fator de transcrição que, uma vez ativado por agentes como LPS, possui a capacidade de modular a expressão de certos genes envolvidos na resposta inflamatória. Os efeitos pró-inflamatórios dos GCs são específicos para algumas regiões do SNC; em outras, como o hipotálamo e em órgãos periféricos, como o coração, esses hormônios ainda agem como anti-inflamatórios, diminuindo a ativação do fator de transcrição NF-kB. A compreensão dos efeitos deletérios provocados pelos GCs e pelo estresse no SNC contribui para o desenvolvimento de alternativas terapêuticas que poderão otimizar o uso desses medicamentos em várias doenças sem prejuízo para seu usuário.